Consultor Jurídico Conjur.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ironia de advogado em sessão do Júri não é desacato

Pode ser deselegante, mas o fato de um advogado bater palmas na sessão de julgamento para ironizar pedido da outra parte não configura, por si só, o crime de desacato. O entendimento é da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, em Habeas Corpus impetrado em favor de um advogado.
Ele bateu palmas, de forma irônica, quando o promotor, no Tribunal do Júri, acusou um depoente de falso testemunho. Provocado pelo promotor, o juiz determinou a prisão em flagrante do advogado, por desacato. Este, por sua vez, deu voz de prisão ao promotor, afirmando que ele exorbitou de suas funções ao impedi-lo de exercer a defesa do réu.
Foi instaurada ação penal contra o advogado no Juizado Especial Criminal de Guarulhos (SP), pelo crime de desacato. O Tribunal de Justiça de São Paulo negou Habeas Corpus ao profissional, cuja defesa renovou o pedido no STJ.
Neste novo HC, a defesa afirmou que não haveria justa causa para a ação penal, pois a conduta era atípica e não poderia ser caracterizada como desacato. Pediu o trancamento definitivo da ação penal.
O ministro Og Fernandes, relator do pedido, lembrou que a atual jurisprudência do STJ e também a do Supremo Tribunal Federal consideram que o Habeas Corpus não pode ser usado como substitutivo de recursos. Ela apontou que o uso excessivo tende a vulgarizar esse instrumento constitucional. Entretanto, a ordem poderia ser concedida de ofício no caso de flagrante ilegalidade ou constrangimento ilegal. Para o ministro relator, era essa a situação dos autos.
Os fatos narrados, concluiu o ministro Og Fernandes, não levam à conclusão de que houve crime de desacato. Ele atribuiu o episódio ao “calor da inquirição de uma testemunha em sessão plenária” e se reportou ao parecer do próprio Ministério Público de São Paulo. “Por vezes, em debates orais, as partes, no calor de seus patrocínios, exacerbam em suas palavras e atos, sem a intenção dolosa de agredir moralmente”, avaliou o MP paulista ao se manifestar sobre o caso perante o TJ-SP.
O relator apontou que a maneira de agir do advogado foi “evidentemente deselegante”, ao bater palmas “de maneira a emitir um juízo de reprovação pela providência do membro do Ministério Público”. Entretanto, isso não foi feito, na visão do ministro relator, para injuriar nem o MP nem o juiz. O ministro concedeu o Habeas Corpus de ofício para trancar a ação penal. Ele foi acompanhado pelo restante da 6ª Turma. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.
HC 111713
Fonte: Conjur

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Hipócrita!!

 
Enche a boca pra falar mal dos políticos corruptos, mas dá dinheiro pra guardinha não multar, sonega impostos, não devolve troco errado, troca seu voto por uma dentadura, compra produtos piratas, cola na prova, faz Gato Net e ainda tem a cara de pau de contar tudo isso para os amigos como se fosse uma grande vantagem... "Mas todo mundo faz?"
Quando ouve alguém dizendo isso desta forma, logo rebate: "Quem é vc pra julgar?" "Nossa, que radical" ou então "falso moralista hipócrita", "Mas o original é um roubo então em pirateio mesmo". É a filosofia de que "ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão"...
Todos ou quase todos nós já cometemos pelo menos um desses delitos acima, não é? Eu por exemplo já colei em prova e o pior que ainda tinha orgulho disso...
Infelizmente essa inversão de valores está incrustada na cultura brasileira e se manifesta com mais destaque nos noticiários sobre corrupção na política. Mas infelizmente não é privilégio dos engravatados de Brasília. Isso está presente em todas as camadas da população. É o famoso e lamentável jeitinho brasileiro...
Para mudar este hábito no Brasil, talvez ainda precisemos de uns 100 anos. Até lá, o povo que está longe de ter a voz de Deus, vai continuar elegendo esses que estão por aí que são a imagem e a semelhança da cultura existente no inconsciente coletivo de seus eleitores...
Se existe alguma possibilidade, esta mudança pode começar pelo comportamento de um pequeno grupo que decide iniciar esta revolução dentro de si próprio, deixando de lado alguns valores distorcidos e contagiando os mais jovens, formando assim uma nova geração.