EXPRESSÃO
VISUAL
Reserve
um tempo para assistir no YouTube o debate presidencial, de
quarta-feira (3/10), entre o democrata Barack Obama e o republicano Mitt
Romney. Se você não entender inglês, melhor. O conteúdo do debate pode desviar
sua atenção do objetivo dessa empreitada, que é o de aprender ou aperfeiçoar
uma linguagem universal que você deve dominar: a linguagem corporal. Ela é
fundamental para se ter sucesso em audiência, sustentações orais, alegações
iniciais, aulas, palestras ou qualquer comunicação com o público.
"A
linguagem corporal decide debates presidenciais", diz a especialista Amy
Cuddy, professora da Escola de Negócios da Universidade de Harvard. E pode
decidir qualquer debate. Ela recomenda que se preste atenção na linguagem
corporal que os candidatos estão usando para transmitir suas mensagens —
não nas mensagens em si. "A linguagem corporal — ou a comunicação não
verbal — pode ter mais influência sobre a audiência do que as palavras usadas
para transmitir as mensagens". Ela sugere o debate presidencial porque os
candidatos são altamente treinados no uso da linguagem corporal. Mas pode ser
qualquer outra apresentação de comunicadores de sucesso.
Antes
de assistir o debate porém, confira ilustrações de alguns gestos e movimentos
favoritos dos dois candidatos à Casa Branca, publicadas também na quarta-feira
pelo jornal The New York Times. A reportagem mostra
alguns gestos e movimentos favoritos dos candidatos, quando querem dizer, em
comunicação não oral, alguma coisa importante aos eleitores. É interessante,
por exemplo, o gesto de Obama de quem gira uma bola de beisebol na mão (waving
a ball), quando quer dar uma guinada em um assunto. E de Romney, quando abre os
dois braços e as duas mãos, sugerindo um abraço.
Amy
Cuddy, que é psicóloga especializada em linguagem corporal, diz que estuda como
as pessoas julgam as outras, com base em dois atributos fundamentais: a empatia
(calor humano e confiabilidade, que definem a aceitação do outro) e força
(poder e competência, que define o respeito ao outro). "Esses atributos
respondem por 80-90% da variação de nossas avaliações das pessoas", diz.
"Fazemos esses julgamentos precipitadamente e nos baseamos em nossas interpretações
do comportamento não verbal dos outros", afirma. Esses julgamentos podem
influenciar tomadas de decisão e determinar resultados críticos, não só em
casos de sustentação oral e alegações iniciais ou finais, mas também em
eleições, contratações de pessoas e na escolha de candidata(o) para
namoro.
Ao
assistir um debate, uma sustentação oral persuasiva, uma palestra convincente,
preste atenção nas comunicações não verbais, para observar até que ponto elas
transmitem empatia e força — e mais um atributo: a naturalidade da expressão
corporal. Veja como Amy Cuddy analisa esses atributos (mais do ponto de vista
do debate presidencial, mas aplicável a qualquer área da oratória):
Força
Poucos políticos no cenário nacional falham no uso de linguagem corporal que denota força. De fato, como animais selvagens, a maioria dos políticos parecem obstinadamente focados em estabelecer não verbalmente sua atratividade. As pessoas expressam força e poder, na linguagem corporal, por meio de gestos e movimentos abertos, que ocupam espaço — são as "poses poderosas" (veja uma apresentação de Amy Cuddy sobre isso no YouTube).
Poucos políticos no cenário nacional falham no uso de linguagem corporal que denota força. De fato, como animais selvagens, a maioria dos políticos parecem obstinadamente focados em estabelecer não verbalmente sua atratividade. As pessoas expressam força e poder, na linguagem corporal, por meio de gestos e movimentos abertos, que ocupam espaço — são as "poses poderosas" (veja uma apresentação de Amy Cuddy sobre isso no YouTube).
Em
debates presidenciais, há diversas "poses poderosas" que devem ser
observadas. Primeiro, observe o aperto de mão — não apenas quem toma a
iniciativa, mas quem coloca a outra mão no braço do adversário, durante essa
saudação. Segundo, observe o comportamento deles na tribuna. Eles estão com as
mãos baixas, à frente, ou com os braços abertos e as mãos postadas nas
extremidades da tribuna? No último caso, parecem mais fortes — a não ser, é
claro, que estejam se dobrando na tribuna em busca de apoio. Terceiro, observe
se o candidato se move da tribuna para o meio do palco para ocupar mais espaço.
As pessoas parecem mais fortes quando ocupam mais espaço no palco. Parecem se
engrandecer. E mostram confiança e dominação. Algumas vezes um candidato ocupa
(ou "rouba") um pouco do espaço do outro. Lyndon Johnson fazia isso
bem. Outros, nem tanto: parecem se tornar agressivos demais ou desesperados
para mostrar força.
Empatia
e calor humano
Políticos dão valor demais à sinalização corporal de força, em detrimento do atributo que mais influencia as pessoas: a empatia. Qualquer líder (como qualquer advogado ou promotor à frente dos jurados) precisa se conectar primeiro com suas audiências, antes de tentar liderá-los (para qualquer efeito). Se o orador não estabelece uma empatia com a audiência, como é que ela vai gostar de você, confiar em você ou fazer o que você pede? De fato, a pesquisa psicológica e sociológica já demonstrou que a capacidade de criar empatia é a primeira impressão que se tem dos outros — ela é julgada em primeiro lugar e tem um peso maior na avaliação que fazemos das pessoas.
Políticos dão valor demais à sinalização corporal de força, em detrimento do atributo que mais influencia as pessoas: a empatia. Qualquer líder (como qualquer advogado ou promotor à frente dos jurados) precisa se conectar primeiro com suas audiências, antes de tentar liderá-los (para qualquer efeito). Se o orador não estabelece uma empatia com a audiência, como é que ela vai gostar de você, confiar em você ou fazer o que você pede? De fato, a pesquisa psicológica e sociológica já demonstrou que a capacidade de criar empatia é a primeira impressão que se tem dos outros — ela é julgada em primeiro lugar e tem um peso maior na avaliação que fazemos das pessoas.
Uma
das razões que o ex-presidente Bush foi reeleito em 2004 foi a incapacidade do
então candidato democrata John Kerry de conseguir se conectar com as
audiências. Todos os especialistas observaram que ele estava tão focado em
transmitir suas posições, suas ideias, que negligenciou na criação de um canal,
por meio do qual suas mensagens pudessem ser transmitidas. Em consequência, os
eleitores, em geral, tiveram uma percepção de que ele era uma pessoa distante,
fria e evasiva. Al Gore, nas eleições anteriores, cometeu o mesmo erro. Ele
estava tão preocupado em comunicar suas posições, seus projetos, que perdeu
oportunidades de se conectar com os eleitores.
Como
oradores podem estabelecer empatia, de uma maneira eficaz, em sua comunicação
não verbal? Uma maneira, mais fácil falada do que executada, é se focar na
audiência — não no oponente. Bill Clinton foi um mestre nessa arte, mesmo em
debates em que uma parede virtual separava os candidatos da audiência. Outros
preferem estabelecer empatia através de gestos, movimentos (acompanhados de um
tom mais suave de voz).
Mas
a maneira mais eficaz de estabelecer empatia ainda é o sorriso autêntico, nos
momentos certos — não ao criticar o oponente ou seus argumentos. Sorrisos
naturais, os que envolvem a contração dos músculos na região da boca e dos
olhos, são simplesmente contagiosos. Tais como bocejos. Apenas são melhores. A
risada, uma ampliação do sorriso, é contagiosa mesmo quando não a vemos —
apenas a ouvimos. Mas, sorrisos falsos, os que envolvem a contração apenas dos
músculos na área da boca, são piores do que nenhum sorriso.
Naturalidade
Tanto quanto na fala, a linguagem corporal forçada, decorada, muito ensaiada, algumas vezes quase que coreografada, produz resultados desastrosos. Isso resulta, muitas vezes, do treinamento dado por "especialistas" ou "sabichões": "Quando disser essa frase, faça esse gesto" — é como recitar "batatinha quando nasce", com gestos decorados. Parecem fora de sincronia com a mensagem. A naturalidade vai para o espaço, minando todos os esforços da pessoa para estabelecer empatia ou transmitir força.
Tanto quanto na fala, a linguagem corporal forçada, decorada, muito ensaiada, algumas vezes quase que coreografada, produz resultados desastrosos. Isso resulta, muitas vezes, do treinamento dado por "especialistas" ou "sabichões": "Quando disser essa frase, faça esse gesto" — é como recitar "batatinha quando nasce", com gestos decorados. Parecem fora de sincronia com a mensagem. A naturalidade vai para o espaço, minando todos os esforços da pessoa para estabelecer empatia ou transmitir força.
O
candidato republicano John McCain, que perdeu as eleições para Barack Obama
cometeu esse erro, quando declarou em um debate: "... e vou perseguir
Osama bin Laden até as portas do inferno", com um "sorriso
penosamente falso", como foi definido. Essa falta de sincronia salienta a
falsidade e a desonestidade. Provoca um sentimento "desagradável" na
audiência. E mina a empatia porque impede a pessoa de se conectar com o seu público.
Também mina a força, porque cria a impressão de que o orador não tem confiança
para se expressar por seus próprios meios.
Moderação
Outro erro fatal, no intercâmbio das comunicações verbais com as não verbais, é exagerar na gesticulação e movimentos. Isso transforma a comunicação em uma forma de pantomima — um teatro gestual, em que os atores se manifestam por gestos, expressões corporais ou fisionômicas. A mímica cativa a atenção da audiência, em detrimento da mensagem oral. Nesse caso, a comunicação não verbal perde a sua função de sustentar a comunicação verbal.
Outro erro fatal, no intercâmbio das comunicações verbais com as não verbais, é exagerar na gesticulação e movimentos. Isso transforma a comunicação em uma forma de pantomima — um teatro gestual, em que os atores se manifestam por gestos, expressões corporais ou fisionômicas. A mímica cativa a atenção da audiência, em detrimento da mensagem oral. Nesse caso, a comunicação não verbal perde a sua função de sustentar a comunicação verbal.
O
exagero de gesticulação pode também denotar nervosismo, que incomoda e também
desvia a atenção da mensagem. Observe alguns repórteres de TV e muitos
entrevistados, que não conseguem ficar sem mexer as mãos ou a cabeça. A
linguagem corporal tem de ser moderada, na medida certa, para servir como arma
de persuasão — um instrumento valioso para se estabelecer empatia e transmitir
força.