Tem
dias que a gente acorda com uma angústia no peito. Dá vontade de parar o
mundo, abrir uma porta e fugir. Fugir mesmo... Sem ter de pagar de
super coragem, de sorrir para fingir que está alegre, de temer mostrar
aos outros que também temos nossas fragilidades.
É quando parece
que abre um buraco negro dentro do peito e começa a puxar para dentro
dele toda a carne que compõe o corpo e a alma tenta se agarrar em
qualquer suporte para não ser sugada junto. Prefere não se entregar.
É Como se o espírito estivesse escaldado daquele sol que durante o dia
iluminou suas brincadeiras de verão e a noite não lhe permite que nem a
gota de água do chuveiro encoste.
Algumas pessoas perdem o sentido,
alguns sentidos perdem as razões, algumas razões ganham cores estranhas
e o melhor é se calar, blindar o coração e sentir a dor.
Tememos a
dor sem perceber que muitas vezes é dela que vem a força que nos
erguerá para um novo horizonte. Tememos a dor porque a imaginamos maior e mais forte do que ela pode realmente ser.
Aprendi a conviver com esta angústia e senti-la quando se aproxima de mim como se fosse uma velha amiga.
Não preciso me justificar para ela e nem ela para mim. Apenas a recebo e me deito em seu colo para ouvir o que tem a me dizer.
É quando deixo de lado todas as roupas, as máscaras e as armas e apenas
escuto minha respiração e as batidas que pulsam no meu âmago. Certo de
que amanhã será um novo dia e respeitando meus momentos poderei seguir
tranquilo a caminhada.
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